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Ela é “estranha”. Tem vergonha até pelo bate-papo, tem ciúmes até de foto. Chora ouvindo sua música preferida e grita quando se assusta. É escandalosa, porém tímida, isso depende se está ou não perto dos seus amigos. Aliás, quando ela está com os amigos, perde a vergonha na cara e só faz “merda”. Sim, ela é “estranha”, mas pelo menos procura ser feliz. Ela tem uma risada alta e ao mesmo tempo uma voz suave. Faz careta do nada. Come pipoca, brigadeiro e sorvete sem culpa. Conversa sozinha, canta errado, dança como uma louca em casa, dá risada dos tombos, faz palhaçadas, conta piada velha e acha maior graça, conversa com os animais, briga com objetos quando esbarra neles. Sim, ela é louquinha, mas quem não é? E sabe uma coisa? Dane-se. Pessoas “perfeitas” são um saco.
Caio Fernando Abreu.    (via quoteografa)
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Eu sinto muito por mim mesmo. Eu até já repeti isso algumas vezes, bem despreocupado. Eu sou aquele tipo de pessoa que se fecha pra tudo. Eu prefiro ficar em casa ao invés de sair por aí, vendo esse povo louco, que apesar de tudo é feliz. Eu até já me imaginei no lugar deles, porque eu acho lindo esse pessoal que se diverte ao extremo; que pula, dança, sorri. Eu acho lindo mesmo, sinceramente. Acho que na vida cada um tem seu jeito de ser feliz. Cada cá tem sua preocupação exata em ser feliz. E se eu fosse como esse povo louco, talvez eu aproveitasse mais do que eles aproveitam. Porque eu sei que no fundo, lá no fundo mesmo, algumas pessoas como eu gostariam de ter aproveitado mais. Aí dizemos: “Tô novo, tenho tanto o que aproveitar ainda”. Mas os outros, eles se jogam, e poucas vezes eles deixam passar uma oportunidade dessas: de ser feliz ao extremo; nem que seja por um dia, por uma noite ou por uma madrugada. Eu sempre tive que aceitar todo o fato da vida com a boca fechada. Eu sempre queria me esconder, me afastar de todo o mundo. Eu sempre tive bem estranho com tanta gente, e até comigo mesmo que nem sabia se era eu. Eu nunca concordei com o fato de ser diferente; com o fato de querer me privar, me esconder. Mas com um tempo eu vim percebendo que algumas pessoas nascem para serem assim. Algumas pessoas nascem para terem medo das outras pessoas. E em toda a minha vida eu nunca me dei bem com as pessoas. Eu aceitei o fato de ser só eu e eu. De me querer, de me ter, e saber que a minha vida foi feita para mim mesmo. Alguns aspectos que sempre solucionei hoje fazem sentido. Sou assim. Nasci para mim, e de mim, falecerei. Não insisto em nada. Não imploro e nem choro por coisas bobas. Eu tenho meu grau de importância; tenho meu limite. Sou indelicado e direto. Odeio mudanças de humores, e quando acontece comigo, prefiro meu silêncio e meu pequeno quarto. Tenho minhas chatices e meus dias de ignorâncias. Não tenho um pingo de compreensão sobre nada. Quando não quero uma coisa eu simplesmente não quero, não adianta insistir. Mas quando desejo algo eu só fico a desejar; nunca tive tudo em minhas mãos. Nunca tive bons materiais e um bom relacionamento comigo mesmo. Tenho dias que chego a me odiar, tenho dias que chego a odiar tudo. Nunca me dei bem com a pobreza, nunca aceitei o fato de não ter uma boa casa, uma boa roupa, um bom dinheiro, uma boa escola, e uma prateleira de livros no meu quarto. Vivo em brigas com minha cabeça, meu corpo, meu cabelo, minhas poucas roupas. Vivo em brigas com a vida, de tão insuportável que ela é. Eu sempre fui assim, irritante, insuportável, e muitas vezes idiota. Eu sempre trato as pessoas como elas devem ser tratadas. Eu enxergo a maioria das coisas diferentes. Eu sei me comportar, eu sei falar e ficar calado na hora certa. Por muitas vezes eu ouvi alguns dizendo que eu era um exemplo de pessoa, e que eu iria me dar muito bem daqui pra frente. Mas ninguém me conhece, e mesmo assim tem gente que diz, e até insiste que me conhece. Eu sei que não, mas nem por isso tomo importância por meras coisas. Eu sempre me importei com as coisas mais belas da vida. Confesso que já perdi muitas oportunidades e felicidades, perdi lembranças que eu poderia carregar em minha memória, perdi amigos, e até alguns familiares. Sempre me considerei forte, e confesso que nunca tive um relacionamento sério. Como eu disse, eu enxergo as coisas de outro jeito. Eu nunca tive tanta proximidade a alguém ao ponto de ter um relacionamento sério e seguro. Sou confuso, inseguro, bicho-do-mato.
Alberto Lima.  (via quoteografa)